CAMPANHA GLOBAL MERCÚRIO ZERO

A Campanha Global Mercúrio Zero foi lançada para alertar a população sobre os riscos causados pelo mercúrio e para exigir o banimento do seu uso. Esta Campanha tem grande importância a medida que o acesso a informação sobre os perigos provenientes da utilização do mercúrio nos produtos e processos produtivos atuais possibilita um debate mais amplo sobre o modelo de desenvolvimento fundado no uso de inúmeras substâncias altamente tóxicas. Além de contaminarem o meio ambiente, o uso contínuo dessas substâncias comprometem a saúde de trabalhadores/as e de moradores/as que utilizam os produtos de forma irregular por falta de um marco regulatório adequado, como é o caso das lâmpadas florescentes, ou porque vivem em torno de plantas industriais que utilizam substâncias toxicas no seu processo de produção.
 
É imprescindível que a população saiba a que riscos está exposta, como identificar os sintomas da intoxicação e ainda estar ciente sobre como evitar uma possível contaminação. Mas, além disso, é extremamente relevante criar um debate na sociedade sobre os riscos do uso do mercúrio para discutir a importância de seu banimento e da mudança no modelo da nossa industrialização fundada no uso excessivo de substâncias tóxicas e na naturalização da exposição aos riscos de contaminação.
 
Contaminação por Mercúrio: No último século os níveis de mercúrio no ambiente global triplicaram como resultado da crescente poluição causada pelos intensivos usos industriais, medicinais e domésticos. Este crescimento alarmante da poluição por mercúrio, embora pouco divulgado, tem aumentado exponencialmente o risco da exposição perigosa e fatal para todas as pessoas, para a vida selvagem e para os ecossistemas, e ameaça a segurança alimentar do planeta, isso porque o mercúrio é uma substancia acumulativa, facilmente transportada pelos compartimentos ambientais, acumula nos tecidos humanos e é extremamente tóxica.
 
Assim, a alta concentração de mercúrio no meio ambiente está colocando em perigo os cidadãos de todos os continentes. A exposição ao mercúrio e sua conseqüente contaminação fere uma série de direitos fundamentais previstos tanto na Constituição Brasileira, quanto em tratados internacionais assinados e ratificados pelo Brasil, como direito a um meio ambiente sadio, direito à saúde, direito à água, direito a alimentação adequada, direito a um ambiente de trabalho digno, e sobretudo, direito à vida.
 
O mercúrio existe em três formas básicas – mercúrio elementar (metálico), inorgânico e orgânico – e sua contaminação ocorre através de diversas formas. A intoxicação por mercúrio é de extrema gravidade, podendo inclusive afetar o sistema nervoso, causando desta forma um quadro irreversível, para o qual não há tratamento.
 
Ações da Campanha: Como parte das atividades da Campanha houve a publicação de uma cartilha que trata de temas como alternativas ao mercúrio, riscos para a saúde e ao meio ambiente e mercúrio no Brasil – e a realização de uma Audiência Pública (veja release da audiência) no dia de 10 de novembro de 2006.
 
A audiência foi promovida pela Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, em parceria com a Rede Brasileira de Justiça Ambiental e a ACPO – Associação de Combate aos Poluentes, tendo sido presidida pelo Deputado Carlos Minc, e debateu a proibição do uso de mercúrio no processo produtivo de cloro-álcalis no Rio de Janeiro e no restante do País e sua destinação final, proibição da importação de lixo químico de outros estados, como São Paulo, que não comporte a desativação total da carga tóxica.
 
Um dos principais pontos foi o debate sobre o cumprimento da Lei 2436 de 1995 que proíbe a implantação de fábricas de cloro-soda e a ampliação das fábricas antigas localizadas no estado do Rio de Janeiro (RJ) que usem células de mercúrio, e dá um prazo final para substituição daquelas que usam tecnologia baseada em mercúrio ou amianto. Neste estado, a única fábrica produtora de cloro é a empresa Panamericana, que não havia ainda adaptado integralmente seu processo produtivo ao que estabelece a lei. A Panamericana alega que a Eletrólise II produz cloro e potassa, e que a Lei do RJ só estabelece cloro e soda, portanto ao produzir cloro e potassa, a lei não alcança a Eletrólise II. Porém, está clara a tentativa de mudar o foco da lei, pois a mesma não visa a proibição da produção de cloro, soda ou potassa, mas sim a proibição das células de mercúrio e sua substituição por outro não poluente.
 
Não obstante, existe um Acordo assinado pela empresa Panamericana antes mesmo da própria Lei 2436 de 1995. Portanto, independente da Lei, já há um compromisso estabelecido com as autoridades do estado do Rio de Janeiro para converter seu processo de fabricação para um sistema sem uso de mercúrio ou amianto, assim que houvesse um novo processo produtivo para este fim. E felizmente ele já existe (a tabela das empresas que já utilizam este novo processo pode ser acessada em: http://www.acpo.org.br/campanhas/mercurio/docs/kohmembrane.jpg)   
 
Além do objetivo de fazer cumprir a lei, os debates realizados na audiência incluíram a questão relativa a transferência de resíduos entre estados da Federação, um tema central nos debates no grupo de trabalho sobre químicos da Rede Brasileira de Justiça Ambiental, coordenado pela ACPO. A despeito dos enormes riscos que o transporte de resíduos contaminados oferece à população, as empresas têm dado destino final aos seus passivos enviando-os para serem simplesmente depositados em regiões distantes da fábrica de origem, colocando também as populações por onde essas substâncias passam em risco e expondo aquelas que vivem em torno dos aterros industriais onde são depositados.  Em fevereiro de 2006, o estado do Rio, que possui a lei mais avançada no que se refere ao banimento do mercúrio para produção de cloro-soda, recebeu 60 toneladas de resíduos da indústria Carbocloro de São Paulo que continham 6% de mercúrio para serem depositados em Belford Roxo.
 
A audiência contou com a presença de representantes da sociedade civil e das empresas que utilizam células de mercúrio no processo de produção e teve como alguns de seus encaminhamentos os seguintes pontos: um projeto de lei estipulando o aperfeiçoamento da Lei Estadual 2436/1995, para que esta não deixe quaisquer dúvidas quanto a substituição obrigatória dos processos tanto de produção de cloro-soda como de potassa com células de mercúrio e diafragma.  Além disso, também foi estabelecido o compromisso da Comissão de Meio Ambiente da ALERJ para proposta de uma legislação que obrigue o registro dos casos de contaminação por mercúrio. Outro encaminhamento foi o compromisso estabelecido pelo representante da Abiclor, presente na audiência, de informar a situação atual dos trabalhadores que foram contaminados pela Pan Americana.
 
A audiência foi precedida de uma reunião preparatória da sociedade civil, no Rio de Janeiro, com membros do GT Químicos e da Rede Brasileira de Justiça Ambiental no Estado para informar e discutir estratégias da campanha e a discussão sobre o não cumprimento da Lei Estadual 2436 de 1995. Nesta reunião foi elaborada uma petição (veja a petição) aprovada durante a Audiência e que foi enviada às Autoridades Federais. A petição tem por objetivo impulsionar o governo federal para que modifique a lei federal já existente, Lei Federal 9976 de 2006, que apesar de proibir a instalação de novas fabricas de cloro que utilizem tecnologia a base de mercúrio e amianto, não exige a substituição dos processos antigos e poluidores para fábricas que continuam operando no Brasil. A petição requer que o Governo Federal se comprometa a tomar medidas concretas para reduzir e eliminar as emissões de mercúrio no Brasil, dada sua alta toxicidade e risco à saúde humana e ambiental, considerando, sobretudo o fato de que já existem alternativas às células a base de mercúrio não apenas para cloro e álcalis, mas para todos os usos humanos.
 
A petição foi protocolada junto ao governo federal, porém segue recebendo apoios que podem ser enviados para zuleica@acpo.org.br (c/c isacris@fase.org.br). Além de monitorar a implementação dos encaminhamentos tirados na audiência, as atividades da campanha previstas para 2007 incluem ações junto ao governo federal e ao poder legislativo para modificação da lei e de debate entre a sociedade civil sobre o tema, uma vez que a mobilização social é fundamental para o banimento definitivo dessas substancias no Brasil.
 
Para participar e obter mais informações sobre a  Campanha MERCÚRIO ZERO acesse a página da Rede Brasileira de Justiça Ambiental ou escreva para  zuleica@acpo.org.br
 
 
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