QUILOMBOLAS DE MOJU DENUNCIAM IMPACTOS DA CVRD
 As comunidades quilombolas do igarapé Jambu-Açu, habitantes do município de Moju, estado do Pará, se encontram em situação de conflito com a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) devido a construção de um mineroduto para o transporte de caulim que trará grandes impactos à região e, consequentemente, à essas comunidades. Este mineroduto que se estende de Paragominas até o complexo industrial de Vila do Conde (Barcarena), faz parte do Projeto Mina de Bauxita Paragominas e atenderá às estratégias de expansão da capacidade da refinaria de alumina de sua subsidiária Alumina do Norte do Brasil (Alunorte), situada em Barcarena (PA).

São ao todo 13 comunidades representadas por 10 associações quilombolas, dentre as quais 7 já receberam o título coletivo da terra e as restantes estão com os processos de titulação em andamento junto ao Instituto de Terras do Pará (Iterpa) e ao Programa Raízes. Desta forma, todas se encontram amparadas pelo artigo 68 dos dispositivos transitórios da Constituição Brasileira, que garante o direito à titulo coletivo da terra e integralidade territorial para os quilombolas que nela habitam e trabalham.

A CVRD não está respeitando esses direitos garantidos, intervindo no território de forma predatória ao meio ambiente e ao modo de vida dessas comunidades. A Empresa não só não reconhece a propriedade das terras por essas comunidades, destruindo florestas  centenárias e invadindo seu território sem nenhuma permissão ou aviso, como também não reconhece a própria comunidade quilombola como tal. Isto é evidenciado porque no Estudo de Impacto Ambiental nunca é utilizado o termo comunidades quilombolas, mas sim populações tradicionais. Além disso, devemos atentar ao fato de que os recursos hídricos (igarapés, rios e águas subterrâneas) já estão sendo afetados e poderão ser contaminados pelos resíduos do minério, colocando em risco toda a população que depende de tais recursos para sua sobrevivência. Alguns dos impactos negativos que já podem ser observados são: assoreamento do Rio Jambu-açu e seus afluentes, com rebaixamento das águas dificultando e muitas vezes impedindo a navegação; escurecimento das águas; desaparecimento dos peixes, impossibilitando a pesca; aparecimento de irritações na pele de quem se banha nestas águas, entre outros.

Com suas ações a CVRD vem compromentendo a rotina destas comunidades, que além de sofrerem com a depredação do meio ambiente, estão sendo impossibilitadas de locomover livremente, devido à obstrução de diversas vias.
Estas comunidades constatam que as indenizações devidas não vêm sendo pagas da forma acordada – são pagos valores inferiores e individualmente, o que não deveria ocorrer já que as terras são coletivas - , nem as políticas compensatórias cumpridas – reivindicações acordadas como Casa Familiar Rural, Posto de Saúde Familiar e formação de agentes de saúde, por exemplo, ultrapassaram o prazo previsto e continuam sem serem atendidas, mostrando total descaso não só da empresa que depreda, mas também do Estado que permite e se cala quando seu dever é protegê-las.

A forma como estas comunidades vivem e se relacionam com o meio à sua volta e o significado que dão aos recursos que ali existem estão sendo totalmente desconsiderados na construção deste mineroduto. As comunidades quilombolas vivem neste território há centenas de anos e possuem laços locais não apenas de caráter material, mas também cultural.
Mais uma vez o que prevalece é o interesse do grande capital, e o desenvolvimento prometido, ao que parece, não trará benefícios às comunidades, mas sim grandes e preocupantes malefícios.

As comunidades reivindicam que suas vozes na definição sobre esse empreendimento sejam ouvidas através do cumprimento dos acordos estabelecidos, do reconhecimento de sua identidade quilombola e da priorização de suas necessidades sobre a exploração dos recursos da região.

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