Os efeitos da pandemia no futebol feminino

Apesar de não ser tão noticiado, os efeitos da pandemia no futebol feminino possuem grandes proporções. Atrasos em calendários, times inteiros com salários atrasados e muitas outras questões se tornam pauta aqui. 

Com esses atrasos algumas equipes de futebol também ficaram esquecidas, não se tornando uma prioridade na resolução dos problemas. Isso gerou atrasos em pagamentos e, até mesmo, o possível fim de alguns times.

Mas, antes de falar dos efeitos reais da pandemia no futebol, vamos ver um pouco como estava a adesão dessa modalidade em diversos clubes e porque a pandemia foi capaz de o paralisar. Veja também como assistir futebol ao vivo.

Como estava a adesão do futebol feminino

Pouco antes da pandemia pode-se dizer que havia muitos planos para essa modalidade. Não é para menos, a adesão do futebol feminino é algo já previsto a muito tempo e muitos clubes já possuíam jogadoras aptas e com vontade de jogar.

pandemia no futebol feminino

No ano de 2019, por exemplo, a CBF tornou obrigatório que todos os clubes masculinos que disputassem a famosa série A fossem obrigados a possuir uma equipe feminina. Apesar desse incentivo para o futebol feminino, ele ainda caminhava em pequenos passos, no entanto, antes mesmo que fosse possível concluir isso, a pandemia chegou.

Um dos times a aderir ao futebol feminino foi o Goiás. No entanto, a adesão aconteceu no ano de 2019 e teve que ser cancelada no ano de 2020, já que havia paralisações em grande escala de campeonatos em março de 2020. 

E o que foi feito para diminuir os problemas?

A CBF não ficou sem agir. Mesmo durante esse período incerto várias tentativas de auxílio a clubes femininos foram realizadas. Ao total, cerca de R$ 3,7 milhões foram destinados a diversos clubes. Para se ter uma pequena ideia, cerca de 120 mil reais foram repassados para cerca de 16 times da primeira divisão.

A segunda divisão também recebeu alguns valores, aproximadamente 50 mil reais foi destinada às equipes. E, apesar desse esforço, havia um problema.

Tomando como exemplo o Goiás, um clube grande e que estava na segunda divisão, apesar de receber R$ 50 mil reais, a folha de pagamento mensal girava em torno de R$ 70 mil reais.  

No final, apesar de tentar arcar com todos os gastos, a equipe acabou demitindo cerca de 300 funcionários. E depois disso, como já dito, a equipe feminina foi encerrada. Apesar de não existir previsão de volta para a equipe feminina, ainda há esperanças que a modalidade volte, segundo Luiz Cezar, gestor do time.

E as equipes que não acabaram

O assunto é de fato delicado. Afinal, é melhor terminar de uma vez a equipe, ou lidar com problemas financeiros diariamente? Bem, algumas equipes que decidiram continuar tiveram que lidar com esse dilema. 

Um dos problemas que mais surgiram nesse caso foi o atraso nos pagamentos. Em alguns casos os atletas ficaram meses sem receber. E claro, a CBF, apesar de ter oferecido o dinheiro, não podia monitorar para onde iria ele. Sendo assim, alguns clubes como o Vitória, não utilizou para o devido fim.

E não ficou apenas em atraso de salários os problemas. Como o futebol feminino não era a prioridade de alguns clubes, houve também diversas perdas de patrocínio. Apesar dessa não ser uma das realidades dos clubes masculinos, isso se tornou nítido em várias equipes femininas.

E ainda há esperanças?

Bem, a verdade é que muitas atletas estão decepcionadas e desencorajadas de continuar no futebol. A incerteza de conseguir jogar ou ainda de conseguir um salário para sobreviver, é algo que fez com que algumas delas desistissem.

Apesar da caminhada da CBF rumo a igualização de salários e muitos outros pontos positivos para os clubes é sim importante, mas, de fato a pandemia não deixou que isso fosse bem visto.

É bem provável que no futuro se tenha equipes de futebol feminino em larga escala, jogando muitos jogos, mas, por agora, o destino dessa modalidade ainda não está claro. Assistir futebol ao vivo, ao menos o feminino, pode não ser algo realmente possível!

Toda a questão, nos próximos meses, irá girar em torno de como os patrocínios irão agir, até porque a pandemia pode estar próxima de acabar, mas logo depois as consequências dela podem ser ainda mais destacadas.